Maria

Um casamento em Caná da Galileia. A festa está animada quando alguém percebe, antes de todo mundo, que as talhas de vinho estão vazias. É Maria. Ela diz ao filho: “Eles não têm mais vinho”, e depois aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”. A cena, contada por são João, é um bom ponto de partida para um emoji de Maria: uma mulher atenta e prática, que enxerga o que falta aos outros.

Os Evangelhos falam pouco de Maria, mas cada palavra conta. Uma jovem de Nazaré que faz uma pergunta ao anjo antes de dizer sim. Uma parente que sobe às pressas a região montanhosa para ajudar Isabel e canta o Magnificat ao chegar. Uma mãe que procura por três dias o filho de doze anos e que depois permanece junto à cruz. Os cristãos do Oriente a chamam de Theotokos, Mãe de Deus, título proclamado no Concílio de Éfeso, em 431. No Brasil, ela ganhou ainda o rosto pequeno e escuro de Nossa Senhora Aparecida, pescada no rio Paraíba do Sul em 1717.

Para desenhá-la, a tradição oferece um vocabulário claro: o véu, o manto azul, as mãos postas ou estendidas, às vezes o Menino no colo. Uma silhueta de véu inclinada para alguém, ou uma talha de Caná com um coraçãozinho: proponha a Maria que fala com você, aquela que dá para mandar numa mensagem dizendo “estou pensando em você, estou rezando por você”.

A mansidão não é fraqueza: é a força que escolheu amar.

— Sermões de um padre de aldeia
  • MariaAmen !por AI Generator
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